hojes.

ele agarrou-a pelos ombros, sacudiu-a com força e fez aquele gesto que se faz quando se quer que alguém nos olhe. ela levantou a cabeça, o eyeliner preto a escorrer-lhe cara abaixo. os seus olhos cruzaram-se, ele beijou-lhe a testa, ela deixou cair outra lágrima, ele disse baixinho:
"-mas eu não quero ser teu amigo, não vês?"

viagem.

a música, a eterna música, arranha-me aos ouvidos ao entrar. a saudade que me causa cada nota, cada batida, cada som. a melodia rasga-me os tímpanos, não quer sair. eu não quero mais ouvir esta música, eu não quero mais ouvir. tudo no mundo me lembra de ti, maldito concerto que fomos ver juntos que era feito com sons de pequenos nadas, os nadas que encontro no mundo, o mundo que encontro na vida. detesto encontrar-te em mim, em todo o lado. detesto perceber-me assim.

ontens.

queria escrever, escrever, escrever, até acabar de deitar cá para fora todas as dores. faço força no papel quando escrevo, rasgo-o, escrevo, escrevo, sai tinta, jorra tinta, não sai dor, a dor acumula-se lá dentro, instala-se, deixa-se ficar. a dor é demasiada, a tinta é escassa agora, o papel é uma mancha, já não se consegue escrever.