hoje recebi a tua carta: no envelope a letra adulta e correcta, indecifrável, e o aroma a verbena que tanto nos fascinava quando nos conhecemos. a que será que cheiravam as cartas apaixonadas que enviavam as senhoras aos seus amados na época do eça de queiroz? lembro-me que só parei de o procurar quando o encontrei numas folhas do jardim da minha avó e tas ofereci numa caixa de madeira que resisitiu às violentas limpezas de passados que fizeste ao teu quarto.
hoje recebi a tua carta: uma folha de papel pautado, arrancado à pressa de um caderno. uma palavra apenas, que não sei de cor ou não quero dizer. e a chave que deixei em cima da mesa do café, esquecida, há três anos atrás.