manuel.

hoje recebi a tua carta: no envelope a letra adulta e correcta, indecifrável, e o aroma a verbena que tanto nos fascinava quando nos conhecemos. a que será que cheiravam as cartas apaixonadas que enviavam as senhoras aos seus amados na época do eça de queiroz? lembro-me que só parei de o procurar quando o encontrei numas folhas do jardim da minha avó e tas ofereci numa caixa de madeira que resisitiu às violentas limpezas de passados que fizeste ao teu quarto.
hoje recebi a tua carta: uma folha de papel pautado, arrancado à pressa de um caderno. uma palavra apenas, que não sei de cor ou não quero dizer. e a chave que deixei em cima da mesa do café, esquecida, há três anos atrás.

elefante

há um elefante no meio da sala!
há um elefante no meio da sala!
há um elefante no meio da sala!
há um elefante no meio da sala!
há um elefante no meio da sala!
há um elefante no meio da sala!
há um elefante no meio da sala!
há um elefante no meio da sala!
há um elefante no meio da sala!
há um elefante no meio da sala!
há um elefante no meio da sala!

há um elefante, meu deus, um elefante enorme, no meio da sala. e ninguém fala sobre ele!