sugestão.

fazemos assim: eu agarro em todas as cartas e tu em todas as músicas e pomos tudo dentro de uma caixa que selamos e guardamos a um canto. depois tapamos os olhos um ao outro e deitamo-nos, não necessáriamente nesta ordem, não quero que batas com os pés ou com as pernas na esquina da cama, quietos. se fizermos assim matamos as saudades todas de uma vez, prometo: porque não vão haver mais palavras nem sons que nos desconcentrem, só vai haver o toque do nosso amor, o cheiro das nossas peles e o sabor a beijos. e eu cá não preciso de mais nada... podemos fazer assim?

autoretracto.

por vezes, tenho noção disto, não passo de uma maçaneta de porta embrutecida que teima em não abrir. fecho-me em copas e sento-me no meio do chão, espaço vazio, sozinha e sem medo, com medo, a chorar, fingindo que não se passa nada, não quero que me vejas, não quero que saibas como estou. por vezes tranco à chave a minha porta, torno-me um segredo, tapo a boca para não fazer som, não quero que me oiças, grito. e por vezes, também disto tenho noção, corro as cortinas com violência, porque a urgência de abrir a nossa porta é tão grande que me fere, e prefiro estar sozinha e ser sozinha, prefiro estar e ser só eu na minha vida, mas contigo, que me fazes tanta falta, sem to dizer, porque as saudades e este passar das horas e dos minutos me moem, me ferem, e me matam, meu amor. pouco a pouco, muito de cada vez.