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hoje despiste-me a alma. agarraste nas minhas roupas feitas de medo e puxaste-mas por cima da cabeça devagar, deixando-me sem nada. sem nada não, desculpa, enganei-me na expressão verbal deste estar físico, deixaste-me sem roupa de medo, vestida com pele de amor. hoje tiraste-me os medos quando me deste a mão e me prometeste o para sempre feliz, numa casa a dois, cheia de flores e risos de crianças. e encheste-me de amor com a mesma mão, quando ma passaste pelo rosto.

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enquanto era ninguem eu queria ser outra pessoa, qualquer pessoa, pessoa nenhuma, sei lá. enquanto eu era ninguém os meus passos não se ouviam e eu não tinha sombra. enquanto era ninguém eu não era pessoa alguma, eu não era gente,eu não era nada. eu era vento e chuva e era mar e era areia e era terra e folhas e flores, e era vento e chuva, e era mais vento e mais chuva. eu era uma tempestade que era ninguém. e de ninguém. eu era de niguém. enquanto era niguém eu queria sonhar e voar mais alto. e queria calçar as luvas da felicidade. as luvas que eram da cor da tua pele e eu ainda não sabia. enquanto era ninguém eu era só.
hoje sou contigo, e tenho as mãos quentes.